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Um 2024 com mais dados (e transparência) para o mercado imobiliário
Uma das barreiras para a evolução do mercado imobiliário brasileiro é a falta de transparência. Esse é um prejuízo difícil de ser mensurado, mas afeta o segmento de várias maneiras, por exemplo, ao favorecer a especulação, dificultar a tomada de decisão do cliente e criar obstáculos para a formulação de estratégias pelas empresas.
Porém, no apagar das luzes de 2023, o segmento teve novos e importantes passos. Em Porto Alegre, foi aprovada na semana passada a Lei da Transparência Imobiliária, a primeira do Brasil a definir que a Prefeitura terá a responsabilidade de divulgar mensalmente dados de transações imobiliárias do ITBI – com o valor declarado, endereço completo, matrícula, área privativa, entre outros.
Essas informações facilitam a precificação dos imóveis, o que leva a uma maior velocidade nos negócios. Fica mais fácil também identificar se houve venda por fora, já que as imobiliárias poderão cruzar seus agendamentos com todos os imóveis efetivamente vendidos. Também ficará muito mais precisa a identificação de áreas quentes de vendas.
Algumas cidades do Brasil, como São Paulo, Rio e BH, já contam com iniciativas parecidas, mas sem a existência de uma lei garantindo a divulgação. “A lei a ser promulgada em Porto Alegre prevê um detalhamento ímpar, que inclui diversas informações que nenhuma outra cidade oferece e que dará muito maior transparência”, explica João Melhado, diretor de políticas públicas da Loft, que fez parte do movimento junto ao Poder Público pela aprovação do pleito.
Imobiliária gaúcha que também participou do movimento em favor da nova lei, a Auxiliadora Predial aponta um horizonte otimista a partir da liberação das informações. “Estamos caminhando para a tão sonhada ‘MLS Brasileira’. Nossas ferramentas terão uma acuracidade muito maior, ajudando a dar uma maior liquidez ao mercado. Quanto mais transparente são os dados, mais rápido o caminho de convencimento do cliente”, afirmou Matheus Kurtz, diretor de Vendas e Franquias da Auxiliadora, ao Imobi Report.
Conhecimento é poder. Graças ao uso de dados, as imobiliárias podem ser muito mais cirúrgicas na alocação de esforços, por terem uma panorama mais preciso dos negócios na cidade. Agora, isso também traz um desafio. “O dado estará disponível para qualquer um. Será preciso se diferenciar na capacidade de análise desses dados, seja de forma independente, seja agindo em rede”, destaca Melhado.
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